Essa é uma história para crianças; se você é pai ou mãe e quiser mostrar para seus filhos, se vira pra explicar pra ele o que é uma metáfora! Porque nem eu sei direito ainda!
Vocês devem conhecer a história do Nemo, o peixinho palhaço;
essa é uma história do primo pobre e anônimo (até aqui pelo menos) do Nemo; seu
nome é Meno e vou chamá-lo de Menos, porque ele talvez um dia chegue a ser
igual a seu primo Nemo, mas jamais será mais, sempre será menos ou igual
(depois de muito trabalho árduo).
Pelo Nemo ser um peixinho famoso, uma estrela de Hollywood,
seu primo Menos sempre sentiu uma pontinha de inveja; que felizmente era
anulada pelo tamanho da admiração que ele sentia pelo primo Nemo, a estrela.
Menos era um peixinho esquisito – todos os seus coleguinhas
na escola o zuavam -, medroso, reprimido e tantas outras características vistas
como negativas por seu povo. Seus pais sempre o educaram a ser um peixinho
humilde e simples; diziam também que se ele fosse um peixinho obediente, o Deus
dos Oceanos o protegeria; mas se ele fosse desobediente, seria mandado para o
mundo dos demônios que respiram fora da água e comem peixinhos desobedientes na
moqueca de domingo. Menos morria de medo desses monstros e não saía nunca da
barra da saia de escamas de sua mãe. Menos vivia na total ignorância e mesmo
assim, sentia que algo o protegia dos perigos. Porém, de tanto ouvir as histórias
mirabolantes de seu primo Nemo, e também todos os mitos cantados pelos seus
parentes peixes palhaços adultos, começou a crescer uma vontade de conhecer
outros mundos, além do seu caseiro. Uma dia, quando Menos já era um
adolescente, Netuno fez Menos conhecer a traição – de um amigo próximo – e se
revoltar com o mundo e com todos. Isso foi a gota d’água e Menos saiu pelo
mundo aquático em busca de respostas pra muitas perguntas que ele alimentava
desde pequeno. Buscou, buscou e buscou sem encontrar; não foi pescado pelos
demônios que respiram fora da água; saiu do oceano para o mundo seco por sua
própria vontade. Escapou de várias panelas e caldeirões; fez amigos, teve
amores - como os botos -, lutou contra inimigos mais fortes e até venceu algumas batalhas; perdeu
várias. Mas o incômodo espiritual não passava! Sofreu muito até que um dia, não
agüentando mais tanto sofrimento, resolveu voltar para casa; mas não encontrava
o caminho, não conseguia! Sofreu mais um pouco! Meu Deus, porque tanto
sofrimento?! Só quando Netuno achou que já era o suficiente, mostrou o caminho
a Menos; e ele descobriu que fora do espaço comandado por Netuno, não poderia respirar,
nem ser feliz. O peixinho Menos voltou para casa, mas já não era mais aquele
peixinho esquisito, já era um adulto forte, forjado no fogo do mundo.
E quando chegou em casa, Menos foi recebido com festa! Seus
pais revelaram que ele na verdade era adotado. Menos é um Pirarucu da Amazônia.
Por isso ele não conseguia respirar direito na água salgada, e muito menos no
mundo dos demônios que respiram fora da água. Menos, sabendo de toda Verdade,
voltou para seu local de nascimento, na bacia do Amazonas, casou, teve filhos e
viveu feliz com sua nova família.
Deus é Pai e não é padrasto!
Se bem que tem padrasto que é melhor do que muito pai
legítimo por aí!
Mas isso é outra história.