Se eu fosse pai há vinte anos:
Pai! Pai! Olha só a super novidade que aprendi hoje na
escola!
Humpf... “disse” o pai.
O menino pulou, dançou, cantou, contou uma piada, riu da
própria piada, bateu a canela na mesinha no centro da sala, fingiu choro e
terminou com um sonoro “Tchãrãmmm!”, enquanto abria os braços.
O que é isso moleque?! Toma jeito de homem! Isso é coisa
de gente exibida! Papai do céu não gosta dessas coisas! E saiu bufando.
O menino se fechou e enquanto ia para seu quarto pensou: “Que
merda! Lá na escola acharam tão legal! Não entendo!”
Apagou a luz, deitou em sua cama e chorou sozinho.
Se eu for pai hoje: (assim espero)
Pai! Pai! Olha só a super novidade que aprendi hoje na
escola!
Que legal filho! Quero ver! Disse o pai.
O menino pulou, dançou, cantou, contou uma piada, riu da
própria piada, bateu a canela na mesinha no centro da sala, fingiu choro e
terminou com um sonoro “Tchãrãmmm”, enquanto abria os braços.
Nossa filho! Que da hora! E abraçou o menino. Parabéns,
viu?! Tenho orgulho de ser seu pai! Você é maravilhoso! Aliás, tão maravilhoso
quanto o seu pai!
Ouviu-se um grito vindo do quarto:
O QUÊ???
Digo, você é tão maravilhoso quanto o seu pai e sua mãe!
Nossa pai, você quase se esqueceu da mamãe!
Você viu filho?! Isso não pode acontecer! Afinal de
contas, ela entrou com a barriga!
O QUÊ???
Calma amorzinho... é brincadeira!
E riram juntos.
