quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Premissa


Sem se esforçar, pensava na infância. O amor de pai e mãe o fazia se sentir livre! Mas ele se perguntava: Por que não posso sentir isso a vida toda?! É tão bom!
A questão surgiu em sua mente enquanto sua carne era talhada a chicote. No último golpe, sentiu sua pele se abrindo enquanto sentia uma ardência insuportável.
Seu nome é Francisco Zumbi Jesus. Sempre foi submisso aos donos, nunca se estressava e fazia tudo o que seu senhor mandava. Se o Sinhozinho o mandasse vender milho na fazenda vizinha, vestido apenas com um biquíni, ele fazia com prazer!
Mas então, porque ele tentou fugir? Culpa de um negro comunista que vivia na senzala e com quem ele tinha contato às vezes na cozinha da Casa Grande. Fantasias brotaram em sua mente: Terras abundantes para os negros, igualdade, comunidade, enfim, Paz.
Nunca mais tentou fugir. Vivia como dava. Ou sobrevivia se você preferir. Nunca foi de luta, muito menos agora depois da tortura. Nunca foi rebelde e nunca tinha tentado fugir até aquela noite, e talvez por isso achou que se fosse pego teria um tratamento diferente daqueles negros que sempre tentavam a fuga. Estava enganado! Sofreu como um porco ao ser castrado! Não que eu já tenha sido um porco, mas não deve ser bom, levando em consideração os gritos que o bicho dá no momento da “cirurgia”, arrancando seu maior orgulho sem anestesia.
Esqueceu tudo o que o negro comunista plantou em sua cabeça e agora obedecia todo mundo, seu dono, sua dona, a Sinhá Moça e até outros escravos. O que ajudou nessa submissão total, foram as leituras que fazia na biblioteca da fazenda. Estudou a vida de Jesus, pois era seu sobrenome e a vida de Buda. Ambos ensinando a paz de espírito. Nunca se revoltar, aceitar tudo sem questionar. Sonhava com uma vida no Paraíso onde estaria na frente de Nosso Senhor, vivendo a Paz dos Justos. Na frente porque depois que Jesus ocupou o lado direito do Pai, vieram muitos que aprenderam o Caminho. Já tinha uns cinquenta de cada lado do Pai. Abriram um auditório para os próximos, ou seja, tinha agora uma galera sentada no mesmo aposento do Pai. Porém, quando estudou sobre a vida de Zumbi dos Palmares, de onde veio seu nome, se encontrou num paradoxo tão insuportável quanto as chicotadas. Quem está certo? Jesus e Buda, ou Zumbi dos Palmares, que lutou até a morte pela Liberdade?!
Acho que o problema é esse:
To dando voltas e mais voltas para chegar ao lugar de onde comecei. E o problema é esse também: Não sei onde comecei, ainda. Vai ver sou um pouco filósofo! Isso me fez lembrar de um vídeo que vi do Monty Python: Era um jogo de futebol, jogado só por filósofos famosos. A bola estava no meio do campo, na marca da cal. Porém, estava todo mundo pensando... Ninguém tomava uma atitude! A torcida enlouquecida gritava: “Chuta no gol, chuta no gol!” Até que depois de minutos ou horas, um jogador (ou filósofo), talvez Sócrates ou Camus, teve um “insight”: Gritou: Eureca! Pegou a bola com os pés, “dibrou” todo mundo facilmente, pois estavam todos parados, pensando, e fez o gol. Nesse momento, todo mundo inclusive adversários, correram para o abraçar!  
Epifania: O que traz a Liberdade não é a Paz interior, essa que se conquista na solidão! A Liberdade vem com o Amor. Amor aos Pais, Amor ao Próximo e Amor ao “conje”.
Apenas a Paz interior traz a Sabedoria?
Essa é minha premissa de hoje.
Nesse momento penso o seguinte:
Melhor errar agindo do que por omissão.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Ficção alucinada


Coxa chega numa das maiores livrarias do Brasil (pelo menos era assim), vê um rapaz de camisa amarela e diz:
Oi, tudo bem? Estou procurando um livro...
Sério?! Você veio procurar um livro na livraria?! Tem certeza de que não está procurando uma fruta ou um legume?
Opa, peraí, ainda entendo sarcasmo! E sei que você não é pago pra isso!
Pra que eu sou pago então?
Pra atender bem os clientes!
É mesmo?! Então tudo bem, o que o senhor deseja?
Ok, melhorou! Então, procuro um livro de ficção!
É mesmo?! Tem certeza de que não é um romance?
Tenho sim! O nome do livro é “Nave louca alucinada”, do autor “Peter Fake”.
É mesmo?! Não conheço esse autor! Procure na seção de televisão!
Não! Tenho certeza que está aqui! Na verdade, sendo redundante, pra falar a verdade seu nome original é Peter Bilau.
É mesmo?! Não conheço! Mas vamos procurar juntos...
Após alguns minutos, encontraram o tal livro.
Obrigado! Há muito tempo que procuro esse livro!
É mesmo?! Quanto tempo?
Sei lá, talvez anos!
É mesmo?! Tudo bem, agora me deixe em paz porque tenho mais o que fazer!
Caramba, você é ignorante mesmo!
É mesmo?! Você não viu nada! Mas devo dizer que isso depende da companhia!
Então tá, vou te deixar em paz...
Ufa, obrigado!
Coxa achou um puff, sentou e foi se deliciar com o conteúdo.
O livro de ficção que Coxa lê, se diz científico. Eis alguns capítulos pérolas:
O Holocausto é uma ficção! Não existiu! Os judeus se fazem de vítima pra ganhar dinheiro.
Quem derrotou o Nazismo na segunda guerra foi os Estados Unidos e não a União Soviética. Batalha de Stalingrado é ficção! Comunista derrotando Nazista, também é ficção!
Não houve o genocídio dos indígenas em todas as Américas. A colonização foi feita naturalmente, de acordo com a natureza pacífica das coisas. Logo, o genocídio do povo pele vermelha, é ficção.
O golpe parlamentar que houve no Brasil em 2016, é ficção! E querer comparar as pedaladas fiscais da senhora Dilma com os dribles do senhor bozo, também é pura ficção! Sem dizer que o documentário da Petra, que aliás, vai disputar o Oscar 2020, também é pura ficção! Mas não me entenda mal. Eu não sou invejoso! Só não sei porque meus documentários não passaram em lugar nenhum! Será que sou só mais um fracassado?! Mas eu trabalho na maior rede de televisão do Brasil. Os Marinhos conseguiram tudo o que eles têm com muito trabalho! Nunca foram desonestos para conseguir chegar ao topo! (kkk)
A troca de mensagens entre procuradores da lava jato, explicitadas pela Vaja Jato do site The Intercept Brasil, também é pura ficção! Ou ainda pior, são crimes indeterminados realizados por hackers criminosos!
E não vou nem falar do abuso de poder de um tal juiz que condenou o melhor presidente do Brasil à cadeia por causa de um apezinho e um sítio no fim do mundo!
Desculpa povo de Atibaia! Quem pensou isso foi o juizeco!
A ditadura militar de 1964 também é ficção! E os militares não torturaram e nem assassinaram ninguém!
Outra ficção é o aquecimento global. A mudança climática, os incêndios, o degelo crescente e a baixa qualidade do ar, é tudo falso.
Nunca houve escravidão no Brasil, os negros trabalhavam até a morte porque gostavam! E hoje no Brasil não existe racismo! Pura ficção!

Coxa tomou um fôlego e olhou para os lados do puff onde estava estacionado. Viu o elemento suspeito que o atendeu no primeiro momento. Ele estava sentado em outro puff e lendo.
Mas você não é vendedor nessa loja? Por que está sentado e lendo? É hora de janta?
Quem disse que eu trabalho aqui nessa merda?
Eu achei...
Achou errado babaca!
Nisso o cara da camisa amarela foi para trás de uma grade montada num canto. Coxa ficou observando. O cara da camisa amarela começou a imitar um macaco.
Ufh,Ufh, Uaaa, Uaaa;
Começou a se coçar e continuou a gritar, fingindo comer coisas através dos movimentos.
Coxa tentou se segurar, mas não conseguiu. Mijou nas calças de tanto rir.
Tentou disfarçar, quando uma vendedora chegou pra saber o que estava acontecendo.
O que está acontecendo aqui?
Nada! Respondeu Cocha.
O macaco, digo, o cara chantageou: Vou dizer que você mijou nas calças!
Coxa: Não, por favor! Me perdoa!
Após pensar muito nesse episódio, Cocha decidiu parar de levar as coisas tão a sério.
Post escrito: O Final dessa bosta ofereço a um amigo que sabe se divertir.