Já vi muita gente falando sobre o destino; alguns acreditam e outros não; entre os que acreditam, estão os fatalistas: a gente nasceu pra se foder! O mundo é uma escola e todo mundo veio pra sofrer! Quem aprender a lição vai pro céu e quem não aprender, você sabe, direto pro inferno do enxofre! Mas também tem os fatalistas positivos, se é que isso é possível: Independente do que te aconteça, levante a cabeça e vá em frente! Seu destino é a Luz! Todos somos filhos abençoados por Deus e nossa missão nesse mundo é apenas suportar suas agruras, dando-nos passagem direta ao paraíso.
Se o destino realmente existe, talvez não seja nada de mais! Mas somente
programas de computadores extremamente avançados; se você é um arquivo
programado, o que você pode fazer pra mudar sua sorte? Isso, nada! A não ser
que você seja um vírus! E existem vírus do bem o do mal. Tudo isso pra chegar
num ponto: Imagina que existem programas repetidos; destinos repetidos; seu
destino – se é que ele existe – não é único! Tem gente passando pelas mesmas
experiências que você! Na China comunista, por exemplo.
Mas peraí, porque antes de ir ao que interessa (ou não), tem quem não
acredita no destino! E esses são os nossos queridos neoliberais! Tava demorando
pra falar em política, né?! Demorou, a vida é política! (clichê?) Mas os
neoliberais acham que cada um faz sua história, de acordo com suas capacidades
e sem esquecer da famosa meritocracia! Cada um tem aquilo o que merece! Nem vou
falar disso! Mas posso indicar um livro sobre: “A tirania do mérito – o que
aconteceu com o bem comum?” (Michael J. Sandel). Ainda não li, mas o título diz
muita coisa! Vamos ler juntos e depois fazer uma rodinha de conversa? Mentira! Lê
e pronto. Já ta bom demais! Levando em consideração que no Brasil tem mais
eleitores do bolsonaro do que leitores! No passado eu me queixava que o
brasileiro era alienado e não ligava pra política! A política que molda nossas
vidas! Quer algo mais importante no plano da matéria? Hoje estou quase
arrependido de ter desejado isso! Por quê? Por causa dos patriotas do caminhão
que apareceram! Mas sou otimista; isso é só uma fase; o patriota do caminhão
vai desembarcar e começar a estudar; e todos os minions vão seguir seu exemplo
e ver que o bem comum é mais importante que o bem apenas da própria famíglia.
José João tem um sonho: ser escritor. Sempre gostou de escrever e na
escola, seus colegas e os professores sempre elogiavam suas redações; e desde a
infância! Tipo: Minhas férias. Desde cedo começou a estudar; porém nunca se
sentia bom o suficiente para escrever algo para ser publicado; estudou até os
oitenta anos de idade, sem publicar nada; estava esperando que algo
acontecesse: A iluminação espiritual. E o que ele fazia para conseguir a tal
sonhada iluminação? Nada! Meditou feito o Buda por alguns anos, e não
alcançando os resultados desejados, largou tudo. Morreu sem conseguir o sonho
de escrever, ser publicado e viver da escrita; foi metalúrgico a vida inteira e
se aposentou assim. Nada contra a carreira de metalúrgico! Mas esse não era o
seu maior sonho.
João José nasceu na China comunista; filho de pai e mãe brasileiros e
comunistas; foi programado da mesma forma que o José João; queria muito ser escritor;
desde cedo começou a escrever pois tinha o incentivo dos amigos e professores;
estudou bastante e começou a publicar precocemente. E como seus destinos – ou programas
– eram os mesmos, João José também tinha o sonho de alcançar a iluminação
espiritual; fã que era do Budão. Meditou a vida inteira; sofreu, escreveu, se
casou, foi ajudante geral em uma metalúrgica, enfim, não se entregou! Continuou
escrevendo; foi publicado e aos cinqüenta anos de idade, se aposentou da
metalúrgica a conseguiu ganhar muito dinheiro como escritor, deixando uma boa
herança aos filhos e netos.
José João morreu em casa e no seu leito de morte, antes do suspiro
final, ouviu corvos e corujas piarem, anunciando o fim. Porém, antes do derradeiro
suspiro, sentiu algo estranho à dor; uma alegria imensa tomou conta de seu ser
e sorriu como nunca. Seu filho único que o velava, pensou: Meu Deus, ele
conseguiu!
João José morreu feliz e realizado; enquanto dormia teve um sonho em que
conseguia ver tudo, inclusive o plano espiritual; mas morreu obtuso, na
esperança de conseguir enxergar o invisível na próxima vida. (ele acreditava em
reencarnação)
Esses são apenas dois possíveis destinos finais! Acho que no computador
de Deus, as possibilidades são infinitas.
No fim das contas, acho que cada um escreve seu próprio destino! E como
sou um otimista inconformado, o Universo ajuda! Sempre está a nosso favor, se a
Vontade é grande.