quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Sobrevivência

 Quem é o vilão? Quem é a vítima?

No filme Matrix as máquinas usam os seres humanos para sugar sua energia; para se alimentar. E as pessoas aqui no “mundo real” julgam as máquinas do filme, como seres maléficos e os seres humanos como as vítimas da situação. Eu pelo menos nunca vi ninguém que assistiu ao filme, dizer que está do lado das máquinas. Porém, aqui no “mundo real”, é o que nós humanos fazemos com muitos animais! O ser humano cria animais e os mata para se alimentar! Assim como não se pode dizer que o homem na Matrix tem vida própria, também pode-se dizer que muitos animais aqui no “mundo real” não têm vida própria! Tudo bem, já tem muita gente preocupada com isso! Os naturalistas; veganos; vegetarianos, etc; Sabemos que o que se faz aqui com os animais é uma tremenda maldade! Alguns já têm essa consciência, mas ainda não é senso comum. Eu por exemplo ainda sou carnívoro; amanhã mesmo tem um churras aqui em casa para o níver de maínha! No filme sempre torci pela vitória do Neo. Na vida real torço pelos animais, mas também faço parte da humanidade. Posso ser um pouco mais consciente do que o criador de gado, mas não é suficiente! Sem contar que a criação de animais para o abate não prejudica apenas os animais e sim todo o Planeta, inclusive nós. No filme, as máquinas se julgam superiores aos humanos que são vistos como um vírus que só sabe destruir o planeta; opinião expressada pelo agente Smith. Aqui, nós humanos nos julgamos superiores aos animais e justificamos nossa crueldade pela necessidade de nos alimentar. Por enquanto mudo minha opinião a respeito do filme; continuo torcendo pelo Neo, mas entendo o lado das máquinas. E aqui, por enquanto não me torno vegetariano, continuo torcendo pelos animais, mas entendo o lado do ser humano.                                        

sábado, 29 de maio de 2021

Especulação

 

“I have a dream!” Eu também tenho um sonho:  Ser escritor e fazer militância através da escrita! Não tenho o dom da política; Não sei fazer discursos para multidões; E duas pessoas pra mim já é uma multidão; Timidez. Não foi sempre assim, mas isso não importa agora. Mas é mentira que eu não me arrependo de nada que fiz! Teve uma virada cultural em São Paulo onde assistimos, eu e meus amigos, aos shows do Suicidal tendecies e dos Titãs; Quando terminou, demos uma caminhada numa rua que não lembro qual,  vimos a programação e ia tocar As Mercenárias; Fiquei louco, tinha que assistir! Porém meus amigos não conheciam e me zuaram! Fomos a uma esquina onde estava tocando Classic Rock cover; Foi legal até, mas me arrependo de não ter assistido o show das Mercenárias! As mina é phoda! Espero ter outra oportunidade! Fiquei parcialmente satisfeito quando vi um show do Metá Metá anos mais tarde e eles convidaram a vocal das Mercenárias pra cantar um som! Fui ao delírio! Mas ver um show inteiro delas é outra coisa. E deve ser verdade aquele lance de que a gente se arrepende mais do que não fizemos do que o que fizemos de errado! Me arrependo de não ter beijado a Raquel naquela festa; Me arrependo de não ter namorado a Kátia, a Kelly (essa namorei um pouco mas fui cachorro), a Michele, a Cláudia, e aquela menina linda que xavequei na máquina de Xerox da firma; e todas as Karinas! Me arrependo também de ter jogado fora o livro que minha professora me deu na quarta série! Um livro da Cecília Meireles! Tava deprimido. Por enquanto, me orgulho de poucas coisas que fiz! Mas calma, vou ali pensar um pouco e já volto; Mas provavelmente não encontrarei nada e terei que apagar isso! Pensei, mas nada! Não me orgulho de nada! E me nego a apagar. Mas chega desse assunto, senão vai parecer auto promoção ao invés de mea culpa!

Sempre que eu passo por um momento difícil, escrevo sobre o assunto e me sinto melhor! Deve haver grupos de pessoas que escrevem sobre seus problemas e conseguem resolver ou abrandar seus problemas. Falar a verdade, sei que isso existe nos Estados Unidos; Será que no Brasil também não seria útil? Você está numa sala com várias pessoas, cada um escreve livremente o que quer e depois todos lêem e discutem o que foi escrito por cada um. Acho que essa parada pode funcionar! Aliás, acho que se você escreve sozinho no seu quarto sobre o que passou, pode ajudar muito! Lembro agora da vez que ingeri a Mãe Ayahuasca e não entendi nada do que vi! Mas após escrever sobre o assunto, conversei com o Rami, e não digo que entendi tudo, mas foi bem esclarecedor.

  Agora é fim de Maio, fim de Outono; Preciso me recuperar antes que chegue o inverno! Gosto do verão, mas Primavera e Outono também são bons! Inverno é uma bosta! Quando eu tiver grana, me mudo para o Nordeste brasileiro!

Tinha mil coisas para dizer! Mas fui dar mais um gole; Esqueci tudo! A partir de agora tudo o que vier à cabeça vou escrever. Pelo menos até dar uma página.

Se eu deixar para amanhã, estarei sendo covarde! Então posto hoje mesmo.

 

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Tentativa de justificar a vagabundagem

 “Olhai os pássaros do céu: não semeiam, não colhem, nem guardam em celeiros. No entanto, o Vosso Pai celeste os alimenta. Será que vós não valeis mais que eles?”

(Matheus 6-26)

 

Antes da pandemia fui a uma festa e conheci um senhor deveras peculiar; senhor Carlos Gustavo Jovem, psicanalista; teria ele uns sessenta anos, cabelo grisalho e óculos redondo sugerindo sabedoria, e um belo bigode estilo Leminski. Em determinado momento da festa,  após alguns comes, me servi de alguns bebes e fui ao jardim fumar um cigarro; e lá o encontrei. Ele estava fumando um cachimbo e pedi seu isqueiro emprestado para acender o meu. A sintonia foi boa; começamos conversando sobre os anfitriões, amigos em comum; depois futebol, religião e finalmente política; e digo finalmente, porque foi neste assunto que a coisa ficou realmente curiosa. Concordamos que a situação do Brasil estava deprimente; ele me disse que não conseguia entender por que o cidadão no poder ainda conseguia ter apoio de parte da população. Então aproveitei para citar o argumento das falanges do cidadão de que o mito estava no poder para evitar o comunismo; senhor Carlos riu alto! E continuou:

-É verdade meu amigo! Como diz minha neta: Isso é bizarro demais!

-Pois não é, seu Carlos?!

O clima, a festa, a barriga forrada com os comes e agora os bebes e o tabaco, ajudaram a nos deixar relaxados e a conversa fluiu:

- A propósito, atendi um homem em meu consultório há pouco tempo; na verdade ainda o atendo; mas essa nossa conversa de agora me fez recordar de nossas sessões.

- Sou todo ouvidos, seu Carlos!

Seu Carlos não me disse o nome do paciente por questão ética, é claro; mas vamos chamá-lo de Marx.

E segundo seu Carlos, Marx disse:

- Trabalhei com carteira assinada até meus trinta e poucos anos; hoje com cinqüenta; não trabalho há vinte anos!

Seu Carlos disse que na hora pensou: “Mais um vagabundo!” E Marx continuou:

- Mas por que parei de trabalhar? Vários fatores; vou resumir alguns e se conseguir confiar no senhor, me aprofundarei. Aos trinta entrei numas de buscar respostas sobre quem sou e por que determinadas coisas aconteciam, tanto a mim quanto à humanidade; enfim, sem saber, me tornei um peregrino na vida. Estudei bastante e depois de um tempo buscando e sem encontrar nada, entrei em depressão; me afastei das pessoas, dos amigos e do mundo! Mas continuei estudando; até meditação eu fazia! E pra não enlouquecer, não estudava somente coisas espirituais; estudava também sobre política e economia; estudei sobre o capitalismo, sobre o comunismo e até sobre o anarquismo; e algumas variantes: Neoliberalismo, democracia socialista, etc. Descobri que sou comunista! Me disseram certa vez que não se nasce comunista, mas torna-se comunista! Eu discordo! Acho que sou comunista desde que nasci! Só que fui descobrindo isso aos poucos; então é aí que eu quero chegar: Se eu trabalhar como escravo assalariado, serei conivente com a exploração do sistema capitalista que tanto abomino! Então, o que o senhor deve ter pensado sobre mim, que sou só mais um vagabundo, eu discordo disso também! Eu simplesmente estou fazendo greve; estou protestando; estou me manifestando! Tudo bem, parece egoísmo, mas se eu conseguir algum resultado positivo em favor do povo trabalhador com essa minha utopia, estarei satisfeito! Um vagabundo egoísta faz isso?! Um vagabundo egoísta faz isso?! Um vagabundo egoísta faz isso?! Justamente para não ser ainda mais julgado, não me casei e não tenho filhos; moro com meus pais; e prefiro milhões de vezes depender de meus pais que eu sei que me amam, do que depender de um burguês que só quer me explorar e ficar mais rico enquanto eu e meus colegas vivemos na pobreza perene.

Devo dizer que me identifiquei com o Marx; e acho que o doutor Carlos foi com a minha lata, porque pedi licença para ir buscar outro drink e ele ficou ali no jardim me esperando e pitando... porém quando voltei o assunto mudou; falamos sobre literatura; Seu Carlos me fez sentir importante.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

É pessoal

 _ Lembro que na adolescência, eu era o palhaço da turma; fazia todo mundo rir, mas quando chegava em casa, às vezes chorava; eu não era feliz.

Fora dos círculos de amizade, eu era bonzinho com todo mundo; como diz a música: Talhava feito um artesão, a imagem de um rapaz de bem. E repito: eu não era feliz.

Mas o espírito é indomável. De formas várias que não vou citar agora, ele- o espírito- deu um jeito de se libertar das amarras.

Uma das vezes que fui sacudido, foi quando me disseram que se eu não tirasse, ou não arrancasse minhas máscaras eu jamais seria feliz. Quem gosta de ser chamado de mascarado?! Eu não gostei.

No processo; sim, o processo é lento! Muito mais lento do que eu poderia imaginar e apreciar. Tive outro momento de revelação, quando estava passando por um processo difícil; uma menina (que amei) me disse: O importante é você se sentir bem debaixo da própria pele!

Enfim, tirei as máscaras e hoje sou feliz! Porém, muita gente passou a me odiar depois que me conheceu como eu realmente sou! Paciência! Sinto que por outro lado, tem muita gente que passou a me amar! Tirar as máscaras dói, mas vale a pena!

Não quer dizer que usar uma máscara ou outra dependendo da situação, não possa ser funcional; mas eu não sou essa máscara, é importante sempre lembrar.

_ Gosto do seu bom humor, me faz rir! Mas é legal te ver falando sério também. Disse ela.

_ Eu sei que ultimamente eu tava fazendo muita palhaçada. Até eu tava incomodado! Respondeu ele.

_ É verdade. Acho que tem hora pra tudo, né?

Ele viu o acostamento à frente, teve presença de espírito e encostou o carro. Sorriu para ela, que devolveu o sorriso com os olhos por cima da máscara.

Será que ela me ama? Pensou ele.

Será que ele me ama? Pensou ela.

_ O que você ta pensando? Ele não se conteve.

_ O mesmo que você! Disse ela.

Ele ficou um pouco sem jeito e disfarçou mudando a estação do rádio. Achou música e tava tocando:

♫ Paixão antiga sempre mexe com a gente, é tão difícil esquecer...♫

Hoje em dia não tá fácil; tem clichê até na sincronicidade! Disse o narrador.

Ficaram uma meia hora conversando ali no acostamento da rodovia; ela dissertou sobre a sapiência e só não reproduzo aqui porque está além de minha compreensão. Ele agradeceu aos céus por pela primeira vez, sentir que a maturidade sorria para ele. Deu a partida, engatou a marcha e fluiu na estrada com a garoa mais linda que já tinha visto, sendo limpada no para brisa.

No rádio tocava “Vira Vira” dos Mamonas assassinas. Até a sincronicidade tem seu momento de palhaçada.