Hoje ouvindo “Creep” do “Radiohead”, lembrei de um episódio
que aconteceu na minha vida. Acabei de mudar para a cidade de Cotia, zona Oeste
de São Paulo. Estava desempregado e com a ajuda de minha tia que já morava na cidade
há alguns anos, consegui um emprego no banco bradesco. Fiquei só sete meses,
mais isso é outra história. O que quero contar é que lá no banco conheci a
Cláudia; eu e ela na flor da idade, 19 anos. Me apaixonei de cara! Chegava em
casa e só pensava nela! Ouvindo “Legião Urbana”, até chorava! Na verdade,
fiquei esses sete meses, me arrastando na vida, por ela! Era morena; prefiro as
loiras ou branquinhas de cabelo preto, mas ela era especial; com seu cabelo
comprido, olhinhos puxados como oriental e dentes salientes. Lembro que ela
sempre vinha em meu setor pedir favores; eu fazia com todo prazer, sem
questionar! Até que um dia eu precisei dela. Fui até seu setor e pedi o que
estava precisando, e era urgente! Ela me ignorou e disse que não era assim que
funcionava! Eu teria que esperar como qualquer um! Então foi aí que minha veia
espontânea entrou em ação; Disse na lata que na hora que ela precisava, ia
correndo me procurar, mas agora que eu precisava dela, ela não queria
colaborar! Vi que aquilo mexeu com ela, olhou para mim com um certo espanto e
resolveu me atender de imediato. Me senti o máximo!
Mas agora falando como adulto, naquele exato momento, eu
deveria tê-la chamado pra sair e seja o que Deus quiser! Não o fiz. Continuei
com o joguinho de adolescente. Chamando-a de Paixão e ela retribuindo com
lindos sorrisos e beijos de tchau no final do expediente.
Isso se arrastou durante os sete meses em que trabalhei no
banco! Até que um dia, logo quando tinha sido demitido, a encontrei na praça da
matriz, próximo ao banco no final do expediente. Eu havia combinado com outros
amigos e amigas do banco para ir ao cinema assistir “Ghost, do outro lado da
vida”. Nos encontramos por acaso no ponto de ônibus; conversamos e aproveitei
para convidá-la para ir ao cinema com a gente. Ela não queria porque tinha
compromisso. Insisti e disse: Por favor Cláudia! Vamos! Por mim!
Ela me olhou com aquele olhar que só mulher bonita sabe dar
e aceitou. Entramos no cinema e sentamos um do lado do outro. Antes de começar
o filme, ela me disse pra ter raiva de certo personagem, que na verdade era o
vilão da história. Estrategicamente coloquei meu braço direito em seu ombro. E
ela ficou o filme inteiro me dando M&Ms na boca. Não consegui prestar
atenção no filme. E agora tire as crianças do blog! Fiquei o filme inteiro igual a Paula, "Paula Tejando"! Daí fui pra casa e fiz igual o Tomás, "Tomás Turbando"! Mas resumindo, acabou o filme e ela me deu uma indireta que queria
ficar comigo. Não sei se não entendi, ou se tive medo, ou se fingi que não
entendi, ou se sou masoquista. Só sei que não fiz nada.
Depois de um tempo, passado esse episódio, sempre que
assistia “Ghost”, chorava como uma criança! Como na música, “Creep”, preferi
continuar rastejando como um verme!
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