sábado, 9 de dezembro de 2017

Rastejando


Hoje ouvindo “Creep” do “Radiohead”, lembrei de um episódio que aconteceu na minha vida. Acabei de mudar para a cidade de Cotia, zona Oeste de São Paulo. Estava desempregado e com a ajuda de minha tia que já morava na cidade há alguns anos, consegui um emprego no banco bradesco. Fiquei só sete meses, mais isso é outra história. O que quero contar é que lá no banco conheci a Cláudia; eu e ela na flor da idade, 19 anos. Me apaixonei de cara! Chegava em casa e só pensava nela! Ouvindo “Legião Urbana”, até chorava! Na verdade, fiquei esses sete meses, me arrastando na vida, por ela! Era morena; prefiro as loiras ou branquinhas de cabelo preto, mas ela era especial; com seu cabelo comprido, olhinhos puxados como oriental e dentes salientes. Lembro que ela sempre vinha em meu setor pedir favores; eu fazia com todo prazer, sem questionar! Até que um dia eu precisei dela. Fui até seu setor e pedi o que estava precisando, e era urgente! Ela me ignorou e disse que não era assim que funcionava! Eu teria que esperar como qualquer um! Então foi aí que minha veia espontânea entrou em ação; Disse na lata que na hora que ela precisava, ia correndo me procurar, mas agora que eu precisava dela, ela não queria colaborar! Vi que aquilo mexeu com ela, olhou para mim com um certo espanto e resolveu me atender de imediato. Me senti o máximo!
Mas agora falando como adulto, naquele exato momento, eu deveria tê-la chamado pra sair e seja o que Deus quiser! Não o fiz. Continuei com o joguinho de adolescente. Chamando-a de Paixão e ela retribuindo com lindos sorrisos e beijos de tchau no final do expediente.
Isso se arrastou durante os sete meses em que trabalhei no banco! Até que um dia, logo quando tinha sido demitido, a encontrei na praça da matriz, próximo ao banco no final do expediente. Eu havia combinado com outros amigos e amigas do banco para ir ao cinema assistir “Ghost, do outro lado da vida”. Nos encontramos por acaso no ponto de ônibus; conversamos e aproveitei para convidá-la para ir ao cinema com a gente. Ela não queria porque tinha compromisso. Insisti e disse: Por favor Cláudia! Vamos! Por mim!
Ela me olhou com aquele olhar que só mulher bonita sabe dar e aceitou. Entramos no cinema e sentamos um do lado do outro. Antes de começar o filme, ela me disse pra ter raiva de certo personagem, que na verdade era o vilão da história. Estrategicamente coloquei meu braço direito em seu ombro. E ela ficou o filme inteiro me dando M&Ms na boca. Não consegui prestar atenção no filme. E agora tire as crianças do blog! Fiquei o filme inteiro igual a Paula, "Paula Tejando"! Daí fui pra casa e fiz igual o Tomás, "Tomás Turbando"! Mas resumindo, acabou o filme e ela me deu uma indireta que queria ficar comigo. Não sei se não entendi, ou se tive medo, ou se fingi que não entendi, ou se sou masoquista. Só sei que não fiz nada.

Depois de um tempo, passado esse episódio, sempre que assistia “Ghost”, chorava como uma criança! Como na música, “Creep”, preferi continuar rastejando como um verme!

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