Hoje o assunto é não ter assunto. Estava lendo em um livro
que para ser um escritor, devemos pelo menos tentar escrever todos os dias. Não
sei se serei um escritor. Mas acho que vou tentar. Já tentei tanta coisa. Já
tentei ser músico, não deu certo. Não que eu seja um músico frustrado. Uma vez
ouvi um cara dizer que não era um músico frustrado porque música era a única
coisa que não o tinha frustrado nessa vida. Comigo também é assim, não me
tornei um músico profissional, mas isso não tem a menor importância, porque eu
ainda posso ouvir música e entender um pouco, como o fato de que Dó não é pena,
mais sim um acorde. Então seguindo o mesmo raciocínio, não serei também um
escritor frustrado, porque amo ler, entrar na cabeça do mundo e entender como
algumas coisas funcionam. Sou humano e tenho o mesmo potencial de um Machado de
Assis, ou um Dostoievsky, Cervantes, Proust, ou um Guimarães Rosa, Graciliano
Ramos. Mas antes que você ache que estou sendo pretensioso, devo dizer que não
estou me colocando no mesmo patamar desses gênios. Não como escritor, mas sim
como ser humano. Assim como eu, eles também devem ter tido, sentido,
experiências humanas. A não ser que eles eram alienígenas, fato que talvez
explicasse tanta genialidade. Aposto com vocês que eles também tiveram
experiências parecidas, afinal a vida e o mundo são os mesmos para todos, as possiblidades
são infinitas dentro uma finitude determinada pela raça (humana). Eles devem
ter sentido prazer, dor, amor, raiva, pena, compaixão, vaidade, arrogância, humildade,
bondade, caridade, podridão, prepotência, maldade, perversidade, alegria,
felicidade, tristeza, etc. Afinal, quando se está vivo de verdade, tudo isso é
possível ser sentido, como já disse, as possibilidades são grandes. Mas
aprendemos desde crianças que essas coisas devem ser reprimidas. Devemos ser
bons, ponto. Mas acho que isso não é possível, infelizmente. Tudo faz parte de
um mesmo pacote, se reprimimos a tristeza e a prepotência, reprimimos também a
alegria e a humildade. Podemos no máximo, fingir que somos alegres e humildes.
A verdadeira alegria e a verdadeira humildade, vêm com o tempo, com muito
trabalho. Talvez fosse mais fácil, se fôssemos inteiros desde que nascemos. De
acordo com aquela antiga metáfora, somos águias ensinadas a ser galinhas desde
que nascemos. Acho que por isso existem tantas doenças, é nossa natureza
tentando avisar de que há algo errado. É tentar evitar a erupção de um vulcão
tapando o mesmo com uma laje, uma hora tudo explode. Veja bem, antes da chegada
do “homem branco”, muitas doenças simplesmente não existiam entre os nativos,
porque eles viviam mais de acordo com a própria natureza e viviam mais
conectados com a natureza no geral. Mas isso é um texto sem assunto, não sei
porque comecei a falar dessas coisas. Talvez seja verdade o que os escritores
dizem, que para escrever, basta começar, o assunto acaba vindo. Mas do que eu
estava falando antes desse assunto mesmo? Ah, sim, já tentei algumas coisas.
Ser músico, agora escritor, já tentei também ser ator. Ok, acho que nada disso
tem importância. Eu pelo menos, não dou a mínima importância para isso. Acho
que a gente pode ser o que quiser. A gente é tudo, a gente é músico quando
canta no banheiro, a gente é escritor quando escreve uma carta para um amigo ou
para um amor, a gente é ator quando é “obrigado” a ir em alguma festa onde não
temos a menor afinidade com as pessoas ali presentes, a gente é arquiteto e
engenheiro quando fazemos um puxadinho no fundo ou na frente da casa. Ah, vocês
entenderam, e às vezes fazemos essas coisas melhor do que muito profissional.
Um diploma não garante um bom trabalho. Sim, o conhecimento é importante, tanto
que acho que ele deveria ser para todos! Mas o talento acho que é de nascença. Mas
sei lá, acho que o talento também tem níveis. Hemingway tinha muito talento,
mas não dá pra dizer que Dan Brown também não o tenha. Dan Brown é autor de “O
código Da Vinci”, não quis dar um exemplo brasileiro, tentando, treinando a
diplomacia patriótica. Mas é isso, vou terminando por aqui porque já está dando
uma página escrita e acho que estou mais pra Paulo Coelho, Ops! (versão melancólica!),
do que pra Ernest Hemingway. (Olha eu sendo galinha! Culpa da sociedade! Mas
hei de me libertar disso!). Abraço!
sábado, 27 de fevereiro de 2016
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