sábado, 27 de fevereiro de 2016

Sem assunto


Hoje o assunto é não ter assunto. Estava lendo em um livro que para ser um escritor, devemos pelo menos tentar escrever todos os dias. Não sei se serei um escritor. Mas acho que vou tentar. Já tentei tanta coisa. Já tentei ser músico, não deu certo. Não que eu seja um músico frustrado. Uma vez ouvi um cara dizer que não era um músico frustrado porque música era a única coisa que não o tinha frustrado nessa vida. Comigo também é assim, não me tornei um músico profissional, mas isso não tem a menor importância, porque eu ainda posso ouvir música e entender um pouco, como o fato de que Dó não é pena, mais sim um acorde. Então seguindo o mesmo raciocínio, não serei também um escritor frustrado, porque amo ler, entrar na cabeça do mundo e entender como algumas coisas funcionam. Sou humano e tenho o mesmo potencial de um Machado de Assis, ou um Dostoievsky, Cervantes, Proust, ou um Guimarães Rosa, Graciliano Ramos. Mas antes que você ache que estou sendo pretensioso, devo dizer que não estou me colocando no mesmo patamar desses gênios. Não como escritor, mas sim como ser humano. Assim como eu, eles também devem ter tido, sentido, experiências humanas. A não ser que eles eram alienígenas, fato que talvez explicasse tanta genialidade. Aposto com vocês que eles também tiveram experiências parecidas, afinal a vida e o mundo são os mesmos para todos, as possiblidades são infinitas dentro uma finitude determinada pela raça (humana). Eles devem ter sentido prazer, dor, amor, raiva, pena, compaixão, vaidade, arrogância, humildade, bondade, caridade, podridão, prepotência, maldade, perversidade, alegria, felicidade, tristeza, etc. Afinal, quando se está vivo de verdade, tudo isso é possível ser sentido, como já disse, as possibilidades são grandes. Mas aprendemos desde crianças que essas coisas devem ser reprimidas. Devemos ser bons, ponto. Mas acho que isso não é possível, infelizmente. Tudo faz parte de um mesmo pacote, se reprimimos a tristeza e a prepotência, reprimimos também a alegria e a humildade. Podemos no máximo, fingir que somos alegres e humildes. A verdadeira alegria e a verdadeira humildade, vêm com o tempo, com muito trabalho. Talvez fosse mais fácil, se fôssemos inteiros desde que nascemos. De acordo com aquela antiga metáfora, somos águias ensinadas a ser galinhas desde que nascemos. Acho que por isso existem tantas doenças, é nossa natureza tentando avisar de que há algo errado. É tentar evitar a erupção de um vulcão tapando o mesmo com uma laje, uma hora tudo explode. Veja bem, antes da chegada do “homem branco”, muitas doenças simplesmente não existiam entre os nativos, porque eles viviam mais de acordo com a própria natureza e viviam mais conectados com a natureza no geral. Mas isso é um texto sem assunto, não sei porque comecei a falar dessas coisas. Talvez seja verdade o que os escritores dizem, que para escrever, basta começar, o assunto acaba vindo. Mas do que eu estava falando antes desse assunto mesmo? Ah, sim, já tentei algumas coisas. Ser músico, agora escritor, já tentei também ser ator. Ok, acho que nada disso tem importância. Eu pelo menos, não dou a mínima importância para isso. Acho que a gente pode ser o que quiser. A gente é tudo, a gente é músico quando canta no banheiro, a gente é escritor quando escreve uma carta para um amigo ou para um amor, a gente é ator quando é “obrigado” a ir em alguma festa onde não temos a menor afinidade com as pessoas ali presentes, a gente é arquiteto e engenheiro quando fazemos um puxadinho no fundo ou na frente da casa. Ah, vocês entenderam, e às vezes fazemos essas coisas melhor do que muito profissional. Um diploma não garante um bom trabalho. Sim, o conhecimento é importante, tanto que acho que ele deveria ser para todos! Mas o talento acho que é de nascença. Mas sei lá, acho que o talento também tem níveis. Hemingway tinha muito talento, mas não dá pra dizer que Dan Brown também não o tenha. Dan Brown é autor de “O código Da Vinci”, não quis dar um exemplo brasileiro, tentando, treinando a diplomacia patriótica. Mas é isso, vou terminando por aqui porque já está dando uma página escrita e acho que estou mais pra Paulo Coelho, Ops! (versão melancólica!), do que pra Ernest Hemingway. (Olha eu sendo galinha! Culpa da sociedade! Mas hei de me libertar disso!). Abraço!

Nenhum comentário: