terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Zorba, O Buda


Existe uma antiga história...
Numa floresta perto de uma cidade viviam dois mendigos. Eram inimigos, naturalmente, como são todos os profissionais – dois médicos, dois professores, dois santos. Um ladrão era cego e o outro era aleijado, e eles eram muito competitivos; ficavam o dia inteiro competindo na cidade.
Mas uma noite a choça onde moravam pegou fogo, quando um grande incêndio assolou a floresta. O cego podia correr, mas não sabia para onde ir. Não podia ver em que lugares o fogo não se espalhara ainda. O aleijado podia ver onde ainda havia possibilidade de se escapar do fogo, mas não podia correr. O incêndio se espalhava rápido e o aleijado via que a sua morte estava próxima.
Eles se deram conta de que precisavam um do outro. O aleijado de repente chegou a uma constatação: “Esse homem, esse cego, pode correr e eu posso enxergar”. Eles deixaram de lado toda competição. Num momento tão crítico, quando ambos estavam diante da morte, tinham que esquecer qualquer tola inimizade. Eles fizeram uma grande síntese; concordaram que o cego carregaria o aleijado nos ombros e eles sairiam dali como se fossem uma só pessoa – o aleijado enxergava e o cego corria, desse jeito eles se salvariam. E como um salvou a vida do outro, eles ficaram amigos; pela primeira vez esqueceram o antagonismo que existia entre eles.
Zorba é cego – ele não enxerga, mas pode dançar, pode cantar, pode se alegrar. O Buda enxerga, mas só pode enxergar. Ele é puramente olhos, só lucidez e percepção – mas não pode dançar. Ele é aleijado, não pode cantar nem pode se alegrar.

Chegou a hora! O mundo está em chamas e a vida de todo mundo está em perigo. O encontro entre Zorba e Buda pode salvar toda a humanidade. O encontro entre eles é a única esperança. Buda pode contribuir com a consciência, com a lucidez, com os olhos que veem mais longe, que podem ver o que é quase invisível. Zorba pode oferecer todo o seu ser à visão de Buda – e a sua participação garantirá que isso não resulte apenas numa visão empedernida, mas num modo de vida que dança, se alegra, se extasia.
OSHO.

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