Existe uma antiga história...
Numa floresta perto de uma cidade viviam dois mendigos. Eram
inimigos, naturalmente, como são todos os profissionais – dois médicos, dois
professores, dois santos. Um ladrão era cego e o outro era aleijado, e eles
eram muito competitivos; ficavam o dia inteiro competindo na cidade.
Mas uma noite a choça onde moravam pegou fogo, quando um
grande incêndio assolou a floresta. O cego podia correr, mas não sabia para
onde ir. Não podia ver em que lugares o fogo não se espalhara ainda. O aleijado
podia ver onde ainda havia possibilidade de se escapar do fogo, mas não podia
correr. O incêndio se espalhava rápido e o aleijado via que a sua morte estava
próxima.
Eles se deram conta de que precisavam um do outro. O
aleijado de repente chegou a uma constatação: “Esse homem, esse cego, pode
correr e eu posso enxergar”. Eles deixaram de lado toda competição. Num momento
tão crítico, quando ambos estavam diante da morte, tinham que esquecer qualquer
tola inimizade. Eles fizeram uma grande síntese; concordaram que o cego
carregaria o aleijado nos ombros e eles sairiam dali como se fossem uma só
pessoa – o aleijado enxergava e o cego corria, desse jeito eles se salvariam. E
como um salvou a vida do outro, eles ficaram amigos; pela primeira vez esqueceram
o antagonismo que existia entre eles.
Zorba é cego – ele não enxerga, mas pode dançar, pode
cantar, pode se alegrar. O Buda enxerga, mas só pode enxergar. Ele é puramente
olhos, só lucidez e percepção – mas não pode dançar. Ele é aleijado, não pode
cantar nem pode se alegrar.
Chegou a hora! O mundo está em chamas e a vida de todo mundo
está em perigo. O encontro entre Zorba e Buda pode salvar toda a humanidade. O
encontro entre eles é a única esperança. Buda pode contribuir com a
consciência, com a lucidez, com os olhos que veem mais longe, que podem ver o
que é quase invisível. Zorba pode oferecer todo o seu ser à visão de Buda – e a
sua participação garantirá que isso não resulte apenas numa visão empedernida,
mas num modo de vida que dança, se alegra, se extasia.
OSHO.

Nenhum comentário:
Postar um comentário