sábado, 13 de julho de 2019

Meritocracia



José da Silva nasceu no interior do interior do Brasil, numa família pobre que mal tinha o que comer. Enquanto que Edú Magalhães (nome bonito) nasceu em berço de ouro. Os pais de José da Silva eram miseráveis. Os pais de Edú Magalhães eram ricos, o pai capitão do exército e sua mãe não vem ao caso, este caso. José da Silva conseguiu crescer mesmo passando fome. Edú Magalhães cresceu se alimentando de manjares. José da Silva teve uma infância traumática enquanto Edú Magalhães teve de tudo o que necessita uma criança pra crescer forte e saudável. José da Silva estudou até o quarto ano do primário, depois disso teve que trabalhar na lavoura pra ajudar os pais, pelo menos conseguiu aprender o básico de ler e escrever. Edú Magalhães estudou nas melhores escolas e fez até curso de inglês e faculdade. José da Silva após a adolescência saiu da casa dos pais e foi pra cidade em busca de melhores oportunidades. Edú Magalhães estudou até os trinta e entrou para a política. José da Silva trabalhou na construção civil, teve sorte, muitos nem isso conseguem! Edú Magalhães sempre ganhou bem, primeiro como vereador e depois como deputado. Não vou falar da religião de cada um porque isso daria mais treta do que a política. Mas independente da religião, José da Silva sempre teve consideração pelos parentes e amigos pobres como ele, e enquanto não conhecia a política, não desejava mal aos ricos, à elite. Já Edú Magalhães, sempre achou que os pobres não passavam de mão de obra. Gentinha que só servia para servi-lo. Não sei se esse pensamento de Edú foi devido à sua criação ou apenas pelo seu caráter mesmo. Talvez as duas coisas. José da Silva se casou e teve filhos, que com dificuldade, conseguiu criar. Edú Magalhães, virgem e já deputado, teve uma namorada arranjada por outros políticos pra não passar a imagem de veado. José da Silva trabalhou a vida inteira como peão e depois da reforma da previdência, morreu sem conseguir se aposentar. Os anos na lavoura não foram contados, como se quem trabalha na roça não está trabalhando. E sendo que esse é um dos trabalhos mais árduos e importantes para um país. Edú Magalhães se aposentou com quarenta anos de idade e foi nomeado embaixador do Brasil nos Estados Unidos pelo seu pai que hoje é o senhor, Meritíssimo e santíssimo presidente da republiqueta do Brasil. Cadê a tal da meritocracia?
Nos governos anteriores no Brasil só era embaixador, em qualquer país, se fosse um diplomata profissional. Mas para o Eduzinho só bastou ter fritado hambúrgueres no Tio Sam. José da Silva é inteligente, consegue construir uma casa do nada, talvez até um prédio. Mas Edú Magalhães mal sabe amarrar o cadarço do sapato sozinho. Resumindo: José da Silva é o oprimido e Edú Magalhães é o opressor. O que nos resta? Acreditar na Salvação Eterna que pregam algumas ou todas as religiões. Tipo depois da morte física, gozar de toda Beatitude do nosso Criador. Mas convenhamos, pra quem tá se fodendo aqui e agora nesse mundo de miséria, tanto faz! Tem que ter muita fé ou estar desesperado pra acreditar num negócio desses. Mas vai que isso seja verdade. Vai que é né?! Vai que existe mesmo essa parada do Juízo Final, em que todos serão julgados por Deus e só os puros de espírito serão salvos! Quem você acha que seria salvo da danação eterna nos infernos: José da Silva ou Edú Magalhães?

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