Mas o que você queria que eu fizesse?
Sei lá, reaja! Só queria que você fosse um pouco mais homem!
Mas eu sou homem! A gente tem três filhos!
Não basta! Ser homem vai muito além do que fazer filhos!
Mas ele é o chefe! Ele manda!
Essa sua submissão me irrita profundamente!
Leopoldo e Molly são como o clichê água e vinho, ou se
preferir, Eduardo e Mônica. Porém aqui, a harmonia não é jamais alcançada ao
contrário da música, enfim, está mais para uma distopia. Molly é forte,
participa de greves, manifestações contra o feminicídio, o racismo e toda
exploração do mais fraco pelo mais forte. Enquanto Leopoldo é um ser humano peculiar.
Não queria adjetivá-lo, mas não encontrei outra palavra para descrevê-lo. Mahatma
Gandhi perto dele era um guerreiro sanguinário. Leopoldo aceita tudo calado,
talvez pela criação, talvez pela própria repressão social, não sei, só sei que
é assim.
Até que um belo dia Molly se cansou. Saiu com um pitboy e
gostou! Porém, é claro que isso lhe trouxe uma crise de consciência: Como pode
eu gostar de transar com um facínora, sendo feminista?! Mas sua consciência não
era assim tão fácil de entender, ela pensou: Mas será que todo boyzinho
bombadão é assassino? Ou tem essa propensão? Talvez não! Enfim, Freud deve
explicar! Ele (Freud) que era um doido, que nunca aceitou ser analisado.
Leopoldo descobriu a traição. Descobriu não, Molly contou
tudo! Não sabemos se por culpa ou por sadismo, mas ela contou
pormenorizadamente, tudo o que aconteceu naquele motel barato.
Leopoldo ficou chocado, mas quieto. Pensou nos filhos e no
que os vizinhos iam pensar se ficassem sabendo, e disse:
Já que você me odeia tanto, por que se casou comigo?
Porque você era bom de xaveco!
Isso porque eu achava que ser bom de xaveco, fosse sinal de
ser um bom exemplar de macho!
Agora sei! Você é só um intelectual que acha que tudo se
resolve com uma boa conversa!
E não é verdade?!
Claro que não! Você tem que agir de acordo com o que fala!
Resumindo, a conversa não deu em nada e o lindo casal foi se
deitar. Na cama, Molly achou que conseguiria se livrar do pensamento de
divórcio. Ilusão! Leopoldo broxou. A discussão o deixou tenso. E não foi a
primeira vez. Molly perdeu toda sua paciência.
Esquece Leopoldo! Você não serve pra mim! A gente é muito
diferente! Quero me separar!
Mas e nossos filhos?
Sei lá, a gente dá um jeito! Mas de preferência que eles
venham viver comigo! Não quero filhos fracos que não saibam se defender perante
os desafios da vida!
O mundo seria bem melhor se todos quisessem viver em paz!
Sem competição e sem violência!
Mas Leopoldo, o mundo não é a Disney! Se você não mudar,
essa é a única solução que eu enxergo para nosso problema! Ou onde encontrarei
um homem de verdade? Que seja forte sem ser machista?! Que seja leal?! Que seja
provedor sem ser dominador?! Que seja romântico sem ser dissimulado?! Que seja
esperto sem ser arrogante?! Que seja firme sem ser violento?! Que seja bom de
cama sem ser galinha?! Que seja honesto sem ser trouxa?! Que seja sensível sem
ser gay?!
Ah, então é isso que você quer de mim?
Sim!
Já sei como te ajudar! Procura no Tinder!
Nenhum comentário:
Postar um comentário