_ Lembro que na adolescência, eu era o palhaço da turma; fazia todo mundo rir, mas quando chegava em casa, às vezes chorava; eu não era feliz.
Fora dos círculos de amizade, eu era bonzinho com todo
mundo; como diz a música: Talhava feito um artesão, a imagem de um rapaz de bem.
E repito: eu não era feliz.
Mas o espírito é indomável. De formas várias que não vou
citar agora, ele- o espírito- deu um jeito de se libertar das amarras.
Uma das vezes que fui sacudido, foi quando me disseram que
se eu não tirasse, ou não arrancasse minhas máscaras eu jamais seria feliz. Quem
gosta de ser chamado de mascarado?! Eu não gostei.
No processo; sim, o processo é lento! Muito mais lento do
que eu poderia imaginar e apreciar. Tive outro momento de revelação, quando estava
passando por um processo difícil; uma menina (que amei) me disse: O importante
é você se sentir bem debaixo da própria pele!
Enfim, tirei as máscaras e hoje sou feliz! Porém, muita
gente passou a me odiar depois que me conheceu como eu realmente sou! Paciência!
Sinto que por outro lado, tem muita gente que passou a me amar! Tirar as
máscaras dói, mas vale a pena!
Não quer dizer que usar uma máscara ou outra dependendo da
situação, não possa ser funcional; mas eu não sou essa máscara, é importante
sempre lembrar.
_ Gosto do seu bom humor, me faz rir! Mas é legal te ver
falando sério também. Disse ela.
_ Eu sei que ultimamente eu tava fazendo muita palhaçada.
Até eu tava incomodado! Respondeu ele.
_ É verdade. Acho que tem hora pra tudo, né?
Ele viu o acostamento à frente, teve presença de espírito e
encostou o carro. Sorriu para ela, que devolveu o sorriso com os olhos por cima
da máscara.
Será que ela me ama? Pensou ele.
Será que ele me ama? Pensou ela.
_ O que você ta pensando? Ele não se conteve.
_ O mesmo que você! Disse ela.
Ele ficou um pouco sem jeito e disfarçou mudando a estação
do rádio. Achou música e tava tocando:
♫
Paixão antiga sempre mexe com a gente, é tão difícil esquecer...♫
Hoje
em dia não tá fácil; tem clichê até na sincronicidade! Disse o narrador.
Ficaram
uma meia hora conversando ali no acostamento da rodovia; ela dissertou sobre a
sapiência e só não reproduzo aqui porque está além de minha compreensão. Ele
agradeceu aos céus por pela primeira vez, sentir que a maturidade sorria para
ele. Deu a partida, engatou a marcha e fluiu na estrada com a garoa mais linda
que já tinha visto, sendo limpada no para brisa.
No
rádio tocava “Vira Vira” dos Mamonas assassinas. Até a sincronicidade tem seu
momento de palhaçada.
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