O Jão do interior tinha o
sonho de ser ladrão. Foi pra cidade encontrar com o chefe de uma facção criminosa
pra se candidatar ao emprego. E após a entrevista, o chefe disse ao Jão:
- Bem vindo à selva de
pedra!
O chefe foi com a cara do
Jão, mas mesmo assim, não privou-se de mostrar ao Jão que a hierarquia era
importante no comando da firma. Colocou o Jão pra fazer um trampo de peão, pra
ver se o candidato a meliante tinha humildade. O Jão raspava o chassis de
carros roubados de playboys que ficaram ricos explorando o povo pobre – carros esses
que eram revendidos pra políticos corruptos.
Um dia o sonho de Jão se
realizou. Foi convocado pra puxar um carro na zona leste. Foi com dois amigos
comparsas, puxou o carro; a polícia pegou; foram perseguidos até o abate no
parque do Carmo. Os polícias aproveitaram o ambiente inóspito do parque e
meteram balas nos comparsas do Jão; mas quando puxaram o gatilho pra finalizar
o Jão, as armas falharam.
Jão passou a noite no
meio do mato ao lado dos amigos defuntos. Voltou a pé pra casa e contou tudo
pra sua mãe.
- Menino, eu sei que
nossa situação é difícil, mas você não precisa disso! Sai dessa vida! Tenha fé
em Jesus Cristo! Ele proverá tudo o que a gente precisa!
Porém, essa pregação,
apesar de vir da pessoa que ele mais amava no mundo, não surtia efeito em sua
mente. Ele simplesmente não acreditava em Deus e muito menos em Jesus Cristo.
Após o episódio no parque
do Carmo, voltou ao trampo de peão, na funilaria da firma. Mas ele era chato!
Tava sempre cobrando o chefe por um serviço mais importante. Até que o chefe o
mandou com um grupo especializado pra roubar um banco; o chefe acreditava no
potencial do Jão.
Foi mais um fracasso. Jão
foi atingido na perna por um tiro de fuzil e só não perdeu a perna por sorte.
Após sua recuperação no hospital, foi enviado ao presídio. Ficou lá anos
amargos; difíceis e alguns momentos, insuportáveis. Passou momentos que não
sabia que poderia suportar e se converteu a Jesus Cristo mesmo sem ir à igreja
do presídio. Porém, meteu a máscara de bad boy pra preservar a vida diante de
tanto cara ruim.
Hoje Jão tem fé em Jesus
Cristo e não sai pra roubar sem rezar. Mas ele só rouba bancos; jamais rouba
gente humilde.
A irmã do Jão pensou:
Se Jesus Cristo honra meu irmão que é bandido, imagina eu que
ando na linha!
Nenhum comentário:
Postar um comentário