quarta-feira, 17 de maio de 2023

Segunda polêmica do Jão

 Um dia Jão estava distribuindo cestas básicas numa região rural no interior de São Paulo. Comprava as cestas com o dinheiro que roubava de bancos que ele explodia. De repente apareceu os polícia e trocaram tiros; Jão se rendeu e foi preso mais uma vez. Foi tudo um mal entendido: Jão se esqueceu de pagar a mesada dos meganha e deu no que deu.

Seu tio o foi visitar na cadeia:

- Você por aqui tio?! Que surpresa!

- Pois é meu filho; mas só vim porque sua mãe insistiu! Odeio esses lugares!

- Eu sei, por isso minha surpresa!

Continuou o tio: - Filho, por que você não sai dessa vida?! Pensa na sua mãe, sua irmã e no seu falecido pai que era um homem trabalhador! E outra: você freqüenta a igreja, se diz crente, lê a Bíblia! Tudo isso não faz sentido!

- Mas tio, eu roubo dos ricos e dou aos pobres!

- Não importa! Está errado! Na própria Bíblia diz pra não roubar!

- Mas eu amo Jesus Cristo e tenho muita fé!

- Não basta! Você precisa abandonar a vida de pecador se quiser se salvar e ir pro céu!

- Tudo bem tio, talvez você tenha razão; mas só vou pensar no assunto por causa de minha mãe! Eu sei que ela não gosta nada disso. É difícil pra mim levar uma vida santa! O que faço?

- Ah, você sabe! Não fume, não beba, não pratique a fornicação, não respire, etc.

- Não respire?!

- Quis dizer no sentido figurado: Não respire em ambientes poluídos pelo pecado!

O tio foi embora, mas não sem antes ouvir a promessa de que Jão pelo menos pensaria no assunto:

- Pensa bem filho! Você só ta vivo ainda por sorte! Quem vive disso, morre cedo!

Jão prometeu e realmente pensou muito no assunto. E afinal se decidiu a mudar de vida.

Pagou uma propina salgada; saiu da cadeia e pensou: “Tudo bem, vou mudar de vida! Mas mereço uma despedida! Vou até a casa das primas pra minha última noite de pecador!”

Quando chegou em casa, Jão  conversou bastante com sua mãe; orou por três dias seguidos; pegou o carro no sábado e foi até um bordel na cidade vizinha. Havia ido até essa zona apenas uma vez – ao contrário de outras mais próximas de onde morava. E só foi uma vez nesse meretrício porque a cafetina o advertiu que ali era a casa de um tal de rei. E o rei era ciumento; não gostava de concorrências.

Enquanto Jão saía de casa, o meretrício na cidade vizinha já estava pegando fogo. Ambiente lusco-fusco; luzes coloridas; fumaça de cigarro; perfume barato; gente conversando; música alta tocando. No fundo do salão principal estava o rei da zona; sentado num sofá e rodeado de profissionais do sexo; femininas e sensuais  com seus poucos trajes atraentes e sedutores usados apenas nas noites claras de verão. A mesa do rei era farta: comida, bebida, charutos. E em seu bolso, vários tickets usados como vale coito; o rei era insaciável – diziam algumas meninas.

Quando o Jão chegou, estacionou o carro e entrou no salão principal. A cafetina viu e como conhecia Jão, pensou: Putz, vai dar merda! O rei e o Jão no mesmo ambiente é morte certa!

Jão foi direto para o bar; pegou um uísque; perguntou ao barman como estava o movimento e foi se sentar. Uma menina sentou em seu colo e ficaram conversando; após alguns chops, Jão se levantou e foi ao banheiro. No caminho, deu de cara com o rei. A alcoviteira correu e se colocou entre os dois, tentando evitar uma tragédia. Era apenas uma proxeneta, mas era honesta e não queria problemas com a polícia.

As meninas que estavam com o rei perceberam a gravidade do momento e se afastaram. A música parou; os dois se encararam; Jão caminhou até a mesa do rei e disse:

- Porra tio, você não disse que era pra eu mudar de vida?!

- Filho, faça o que eu falo, e não faça o que eu faço.

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