Um dia Jão estava distribuindo cestas básicas numa região rural no interior de São Paulo. Comprava as cestas com o dinheiro que roubava de bancos que ele explodia. De repente apareceu os polícia e trocaram tiros; Jão se rendeu e foi preso mais uma vez. Foi tudo um mal entendido: Jão se esqueceu de pagar a mesada dos meganha e deu no que deu.
Seu tio o foi visitar na cadeia:
- Você por aqui tio?! Que surpresa!
- Pois é meu filho; mas só vim porque sua mãe insistiu! Odeio
esses lugares!
- Eu sei, por isso minha surpresa!
Continuou o tio: - Filho, por que você não sai dessa vida?!
Pensa na sua mãe, sua irmã e no seu falecido pai que era um homem trabalhador!
E outra: você freqüenta a igreja, se diz crente, lê a Bíblia! Tudo isso não faz
sentido!
- Mas tio, eu roubo dos ricos e dou aos pobres!
- Não importa! Está errado! Na própria Bíblia diz pra não
roubar!
- Mas eu amo Jesus Cristo e tenho muita fé!
- Não basta! Você precisa abandonar a vida de pecador se
quiser se salvar e ir pro céu!
- Tudo bem tio, talvez você tenha razão; mas só vou pensar no
assunto por causa de minha mãe! Eu sei que ela não gosta nada disso. É difícil
pra mim levar uma vida santa! O que faço?
- Ah, você sabe! Não fume, não beba, não pratique a
fornicação, não respire, etc.
- Não respire?!
- Quis dizer no sentido figurado: Não respire em ambientes
poluídos pelo pecado!
O tio foi embora, mas não sem antes ouvir a promessa de que
Jão pelo menos pensaria no assunto:
- Pensa bem filho! Você só ta vivo ainda por sorte! Quem vive
disso, morre cedo!
Jão prometeu e realmente pensou muito no assunto. E afinal se
decidiu a mudar de vida.
Pagou uma propina salgada; saiu da cadeia e pensou: “Tudo
bem, vou mudar de vida! Mas mereço uma despedida! Vou até a casa das primas pra
minha última noite de pecador!”
Quando chegou em casa, Jão
conversou bastante com sua mãe; orou por três dias seguidos; pegou o
carro no sábado e foi até um bordel na cidade vizinha. Havia ido até essa zona
apenas uma vez – ao contrário de outras mais próximas de onde morava. E só foi
uma vez nesse meretrício porque a cafetina o advertiu que ali era a casa de um
tal de rei. E o rei era ciumento; não gostava de concorrências.
Enquanto Jão saía de casa, o meretrício na cidade vizinha já estava
pegando fogo. Ambiente lusco-fusco; luzes coloridas; fumaça de cigarro; perfume
barato; gente conversando; música alta tocando. No fundo do salão principal
estava o rei da zona; sentado num sofá e rodeado de profissionais do sexo;
femininas e sensuais com seus poucos trajes
atraentes e sedutores usados apenas nas noites claras de verão. A mesa do rei
era farta: comida, bebida, charutos. E em seu bolso, vários tickets usados como
vale coito; o rei era insaciável – diziam algumas meninas.
Quando o Jão chegou, estacionou o carro e entrou no salão
principal. A cafetina viu e como conhecia Jão, pensou: Putz, vai dar merda! O
rei e o Jão no mesmo ambiente é morte certa!
Jão foi direto para o bar; pegou um uísque; perguntou ao
barman como estava o movimento e foi se sentar. Uma menina sentou em seu colo e
ficaram conversando; após alguns chops, Jão se levantou e foi ao banheiro. No
caminho, deu de cara com o rei. A alcoviteira correu e se colocou entre os
dois, tentando evitar uma tragédia. Era apenas uma proxeneta, mas era honesta e
não queria problemas com a polícia.
As meninas que estavam com o rei perceberam a gravidade do
momento e se afastaram. A música parou; os dois se encararam; Jão caminhou até
a mesa do rei e disse:
- Porra tio, você não disse que era pra eu mudar de vida?!
- Filho, faça o que eu falo, e não faça o que eu faço.
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