quinta-feira, 13 de julho de 2023

Cara estranho

 Querido diário,

Ontem foi um lindo domingo chuvoso! Acordei às dez horas, tomei meu café reforçado, fiz meus exercícios matinais e liguei a TV. Como sempre faço há anos, sintonizei o canal que fala da realidade da vida: Assaltos, assassinatos, crimes e mortes. Ao meio-dia almocei uma suave cabidela e tirei uma pestana. Quando acordei, assisti a um filme educativo na Netflix: A ressurreição do demônio. Até gostei do filme, pois tinha um enredo inteligente. Mas o protagonista era um psicopata! Merecia morrer! Após o filme coloquei na globo e tava passando o jogo da seleção brasileira na copa do mundo. Perdemos da Argentina. E apesar de não gostar de futebol, fiquei feliz pelos Hermanos. Há muito tempo não assistia a um jogo inteiro! Foi estranho, mas prazeroso. Apesar da friaca, depois do jogo tomei um banho gelado, me arrumei e fui pro mundo. Leia-se: Praça da Igreja da Matriz.

Já na praça da Igreja da Matriz, dei um role pelos botecos ao redor e parei no Havana Rock Club. Pedi uma PCL (Pinga com limão) e fiquei manjando a galera. Tinha um casal lindo cheio de sorrisos numa mesa e um doidão fumando maconha num canto, que dividiram minha atenção. Mas optei pelo casal, só pra variar um pouco. Cheio de vontade de chegar junto e travar um diálogo filosófico onde tudo é relativo, inclusive a felicidade. Não tive coragem e travei o tal diálogo na minha imaginação:

E aí bro, qual é?

Nada de mais! Só curtindo.

Parabéns hein?! Sua minha é show! Uhu!

Valeu maluco! Mas qual é a sua?

Relaxa mano! Foi só um elogio! Sem maldade!

De boas.

Pensei sobre o meu pensamento: Mano, esse cara é um psicopata enrustido!

E ainda na minha imaginação, o psicopata foi ao banheiro e eu sentei em sua cadeira. Ousadamente conversei com a “mina magia” enquanto o babaca estava no quartinho.

E aí gata, o que ta pegando?

Nada “seu” doidão!

Você acha que eu sou doidão mesmo?

Lógico né?! Meu namorado é bandido! Se ele te pega aqui, te faz acordar com a boca cheia de formiga!

Não brinca! Mor cara de Panguão!

Caramba, foi exatamente o que eu pensei no nosso primeiro encontro! Eu e você temos algo em comum!

Era justamente isso que eu estava tentando fazer! Achar algo em comum entre você – a princesa – e eu o sapo!

Ela me olhou meio estranho; meio de lado; já tentando escapar; mas querendo ficar.

Eu meti um olhar 43 e minha vida inteira ficou exposta pra ela. Ela tremeu.

Mas nisso o panguão chegou e a salvou da maldição. E como tava tudo em silêncio, ainda não teve vontade de matar o outro. Só sentou e disse ao outro: Qual é borboleto?

Kkk, você também curte tirar uma onda?

Sempre!

É nóis.

Trocamos algumas idéias e não sei o porquê, a gente tava falando de cachorro. Eu disse que o meu cachorro me mordeu. E ele disse que se o cachorro dele o mordesse, ele matava! Eu disse:

Não tenho coragem! Se fosse um cara, eu matava!

O maluco deu uma gargalhada e mudamos de assunto.

Pensei no meu pensamento: Com certeza esse casal e o maluco no canto do bar fumando um baseado, todos são psicopatas! Vou cair fora daqui enquanto é tempo!

Quando cheguei em casa, tranquei o portão, fechei a janela, apaguei a luz e disse à minha mulher imaginária: Eu te amo! E tudo isso enquanto admirava como se nunca tivesse visto na vida: Na parede escrito: Helter Slelter. E vários riscos na vertical de cinco em cinco pra facilitar a contagem.

Por que um deus tem que ter só uma face nesse mundo multifacetado?!

Querido diário:

Mais um dia faminto tentando me encaixar na realidade da sociedade.

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