Tem dois amigos sentados na mesa da lanchonete, do lado de
fora, porque ali se pode fumar. Conversa vai, conversa vem, bebericando uma
gelada... uma não, várias. Quando surge uma morena boa pinta e pede uma
informação. O amigo moreno fica em choque, e o amigo louro responde à beldade.
O amigo louro convida a morena para sentar e tomar umas com eles. Ela aceita
meio depressa demais para o gosto do amigo moreno. O amigo louro que antes
estava quase deprimido tentando falar de política, se solta e começa a xavecar
a morena, porque percebeu que seu olhar, o da morena, dizia tudo o que ele
queria ouvir. E justamente por isso, não pegou pesado no palavriado:
_ Você ta sozinha, ou vai chegar mais alguém?
_ To sozinha, porquê?
_ Como assim por quê? Porque vai que seu namorado chega,
como a gente vai explicar?!
_ haha, esquece, não tenho namorado!
Resumindo, o louro xavecou até ficar babando e a morena
antes de sair para algum lugar mais tranquilo (sugestão do louro), perguntou de
quem era o carro.
_ É dele.
Apontou o amigo louro para o amigo moreno.
_ Tudo bem, vamos... respondeu a morena.
Agora uma pequena pausa para você ir ao banheiro junto com
os personagens.
O moreno foi dirigindo, enquanto o louro foi no banco de
trás com a morena fazendo tudo o que um cidadão de bem tem direito. Na primeira
esquina, encontraram um amigo em comum. O amigo cumprimentou, viu a situação e
disse:
_ Coitado!
O moreno, para tentar recuperar o placar adverso, parou em
frente a um motel e disse olhando para trás:
_ E aí, vai rolar ou não?
A morena respondeu: Eu dou pra ele, pra você não!
Desceram do carro e foram fazer bebê, à pé.
O moreno indignado, só de raiva não voltou para casa! Foi direto
para o centro da cidade tomar mais algumas e tentar reverter a má sorte. Quase
deu! Chegou no centro e encontrou um grupo de amigos. Entre eles uma menina linda
que ele admirava desde sempre. Sentou ao seu lado mas não disse nada. Sei lá,
ou ele se achava o galã, ou era muito tímido. Achava que não precisava falar
nada pra ganhar a parada. A menina saiu com outro amigo seu e na saída ainda se
virou e mandou um beijo debochado. No mesmo momento, viu seu time tomando um
gol na tv do bar. Ele desistiu! E resolveu tomar todas. Pelo menos a loura
gelada era fiel. Enquanto tinha dinheiro na carteira. O dinheiro! Ah, o
dinheiro! Já deve ter salvo muitas vidas miseráveis como essa! Coitado, voltou
pra casa triste, desconsolado e até um pouco deprimido. Mas se você acha que
toda essa desgraça é pouco, bobagem! Uma esquina antes de chegar ao aconchego
consolador, fora da cidade, quase um sítio, o carro quebrou! Em frente a uma
viela frequentada por maconheiros e afins. Deu uma sorte! Estava tudo deserto.
Ouviu passos do outro lado da viela, correu na tentativa de pedir ajuda. Quando
chegou do outro lado, os passos estavam mais fortes. Se retraiu na noite escura
e nebulosa, e tentou colocar um tom formal na voz:
_ Boa noite.
Era um cavalo! Ele deu boa noite a um cavalo! Vocês
entenderam o que eu disse? Ele deu boa noite a um cavalo no final dessa noite
horrível. Se isso não for engraçado, não sei mais o que é!
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