Mas agora uma pequena pausa nesse lance de morte e carta de despedida, pra escrever sobre a vida:
Cristiano tinha oito bilhões, digo, três filhos e desde seus primeiros
meses de vida, ele já sabia como era a personalidade ou temperamento de cada um
deles. O primeiro seria obediente; o segundo seria independente; e o mais novo,
o terceiro, seria louco (num bom sentido).
A vida de Cristiano era dura! Trabalhava pra prefeitura da
cidade como lixeiro. E quando os filhos começaram a ter consciência do trabalho
do pai: O primeiro sentiu orgulho; o segundo, repulsa; e o terceiro confusão. O
terceiro sentiu confusão porque ele amava muito seu pai, mas se sentia culpado
por sentir vergonha do trabalho do velho.
Desde cedo Cristiano tentava explicar aos filhos a nobreza de
seu trabalho: sem coletor de lixo, o mundo ficaria podre! E a vida na Terra
seria impossível para os seres humanos. O primeiro filho acreditava sem
ressalvas, pois seu pai apesar de realizar um trabalho humilde, lia muito.
Cristiano nunca foi à escola! Mas sempre gostou de ler e lia muito – como já
disse -, sobre muitos assuntos. O segundo filho achava um desperdício o pai ter
tanto conhecimento e trabalhar de lixeiro! Ele achava que o pai deveria estar
rico fazendo qualquer coisa, menos isso. Já o terceiro não pensava em nada, só
se sentia perdido e não merecedor de nada; nem do pai que tinha e nem da vida
relativamente confortável que levava.
Cristiano sempre dizia desde cedo aos três: Se você me
seguir, você conseguirá algo na vida! Caso contrário, perecerá! (?)
O primeiro nasceu com Fé; seguia o pai, feliz só pelo fato de
estar vivo e agradecido pelas pequenas coisas. O segundo cresceu, fez faculdade
e se tornou empresário de sucesso. O terceiro trabalhava como peão em uma firma
e ao fim de cada mês gastava o salário em prostíbulos.
Quando os filhos alcançaram a maioridade, Cristiano fez uma
reunião com os três: Bom, tenho muito dinheiro guardado! O primeiro não se
surpreendeu; O segundo: Como pode?! Um lixeiro?! O terceiro ficou confuso, pra
variar. E Cristiano disse: Quando criança, eu sei que era difícil pra vocês me
seguirem, ou acreditar no que eu dizia! Mas agora já são homens feitos; E aí,
vai me seguir ou não?
O primeiro filho, que também era lixeiro ficou calado, pois
sabia que a pergunta na verdade, era para os outros dois irmãos. O segundo
negou, pois era rico e bem sucedido, pensou: Por que eu deixaria uma vida de
empresário bem sucedido pra ser lixeiro nessa altura do campeonato? O terceiro
sofreu tanto na vida que aceitou o trato com o pai. Porém, o terceiro era um
torto irremediável; Faltava no trabalho, e quando ia, chegava atrasado. Mas
estava decidido do seu jeito; aos trancos e barrancos, seguiu o pai, apesar de
estar se sentindo velho e fraco.
Cristiano completou cem anos de idade e fez sua última
reunião com os filhos:
E aí, vai me seguir ou não? Eu sou o caminho, a verdade e a
vida!
O primeiro sorriu.
O segundo tinha perdido tudo o que conquistou na vida por
causa da traição de um “amigo”.
O terceiro ficou confuso.
Cristiano: Qual seu sonho de infância?
O primeiro filho: Sempre quis ser professor! Acho tão lindo!
Assim foi feito; Cristiano mexeu os pauzinhos e fez do primeiro um grande
professor.
O segundo filho: Eu só queria ser rico! Independente de como!
Assim não foi feito; Cristiano abandonou o segundo que morreu na miséria.
O terceiro filho: Desde que minha professora da quarta série
me deu um livro da Cecília Meireles – com dedicatória -, sempre quis ser um
escritor! De preferência famoso e aclamado pelo público e pela crítica! Assim
foi feito.
Cristiano: To deixando uma herança; A cada filho meu,
conforme sua fé e boa vontade.
A vida desses fulanos não existiria sem a esposa de Cristiano e mãe dos três! Mas deixo essa história para uma outra oportunidade.
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